O Presidente da República de Angola, João Lourenço, passou ao homólogo da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, a presidência rotativa da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), durante a XI Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo, realizada em 28 de Março deste ano, na cidade de Malabo.
Ao proferir o discurso de balanço e apresentar o relatório dos três anos (2022 a 2025), à frente da organização, o Presidente João Lourenço, disse que a aproximação da organização à União Europeia, um dos grandes legados da sua presidência, possibilitou a realização, em Luanda, da primeira Assembleia Parlamentar Paritária entre as duas organizações.
“Esse grande passo contribuiu, de forma bastante notável, para a evolução das nossas relações, assentes no respeito mútuo, na responsabilidade comum e numa ambição estratégica convergente”, disse o Presidente da República, momentos antes de passar o testemunho da liderança rotativa da OEACP ao homólogo Teodoro Obiang Nguema.
Na ocasião, João Lourenço esclareceu que foi possível igualmente, durante o mandato, redefinir o modelo de cooperação bilateral, no sentido de torná-lo mais capaz de produzir resultados concretos e mensuráveis para os cidadãos dos países membros, num contexto em que a organização realça como prioridade a aposta na juventude.
O envolvimento da juventude, sublinhou o estadista angolano, vai assegurar a transformação sustentável das economias dos Estados-membros e responder, de forma equilibrada, aos desafios climáticos e energéticos que o mundo enfrenta, principalmente nos dias de hoje, “face aos graves acontecimentos que assolam o nosso planeta”.
Nessa Cimeira, assinalou o estadista angolano, foi instituída a função de “Campeão da OEACP para a Mobilização de Recursos Financeiros”, título assumido actualmente pelo Rei Mswati III do Reino do Eswatini, a quem expressou “grande apreço”, por ter aceitado liderar a “tão importante missão”.
“Creio que nos podemos regozijar com o facto de ter sido possível darmos passos firmes e decisivos no sentido da modernização da estrutura institucional da nossa organização, adoptando medidas que garantem o funcionamento regular e estável do Secretariado da OEACP”, destacou João Lourenço, para quem a eleição do novo secretário-geral Moussa Batraki, resultou de “um processo democrático transparente, sob cuja gestão foi possível reforçar a disciplina financeira, a governação e a prestação de contas”.
Na hora de passar o testemunho ao homólogo da Guiné Equatorial, o Presidente de Angola confessou estar “seguro e convicto” de que “deixa em boas mãos” a condução dos destinos da organização por Teodoro Obiang Nguema.
“Sob a sua liderança, esta Instituição continuará a desempenhar com dinamismo o seu papel relevante na identificação e solução dos grandes problemas com que os nossos países se debatem”, afirmou.
João Lourenço considerou que o tema da XI Cimeira de líderes da OEACP, designada “Uma OEACP transformada e renovada num mundo em mutação”, coloca a organização diante de um grande desafio, por constituir “um apelo claro à acção positiva e transformadora, tendo em vista a modernização das estruturas, a inovação dos métodos de trabalho e o reforço da influência política”.
Entende, por isso, o estadista angolano, que tal contexto deverá ocorrer dentro de um quadro em que devemos assumir o compromisso colectivo de aprofundar a solidariedade entre África, Caraíbas e o Pacífico e projectar uma visão comum de desenvolvimento sustentável, prosperidade partilhada e dignidade para os povos dos Estados-membros.
O Presidente da República, que não escondeu a satisfação pelo apoio que recebeu da “grande equipa que integra o Secretariado da OEACP”, elogiando “o conjunto de pessoas que não pouparam esforços para colocar ao serviço da nossa organização o seu dinamismo, empenho e profissionalismo, para que conseguíssemos chegar até aqui com o respeitável legado que transmito ao meu sucessor”.