• EMBAIXADORES AFRICANOS REAFIRMAM EM PEQUIM QUE O PRINCÍPIO DA PARCERIA COM A CHINA DEVE ESTAR ANCORADA NA UNIDADE E VISÃO ESTRATÉGICA


    A Missão Permanente da Comissão da União Africana (UA) na República Popular da China organizou, durante dois dias, o Retiro Anual do Grupo de Embaixadores Africanos, sob o tema “Aproveitando a Oferta Tarifária 100% Gratuita da China”, para promover o desenvolvimento e a prosperidade no continente africano.

    O certame teve como objectivo fortalecer a capacidade coordenada do continente para a operacionalização da oferta de isenção total de tarifas da China, e ampliar o acesso ao mercado para acelerar a implementação da Agenda 2063 e dos resultados do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC).

    O evento foi composto por vários painéis de discussão, com destaque para o painel sobre Padrões de Acesso ao Mercado, produção e cadeia de valor no comércio, financiamento e investimentos, bem como o painel sobre facilitação e logística.

    A Chefe da Missão angolana Dalva Ringote Allen, participou do painel sobre financiamento e investimento, lembrando que a Declaração de Luanda, resultante da III Cimeira de Financiamento para o Desenvolvimento das Infraestruturas em África, realizada na capital angolana, em outubro de 2025, sob o patrocínio do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, na qualidade de Presidente da União Africana, com a coorganização da Comissão da União Africana, reafirmou os compromissos com a industrialização, o desenvolvimento de cadeias de valor regionais e a priorização de sectores integrados a um modelo de desenvolvimento centrado em infraestrutura, redução de custos, aumento da competitividade, expansão das exportações, retorno económico e sustentabilidade do investimento.

    Dalva Ringote Allen, destacou que o novo regime tributário oferece uma oportunidade significativa para as empresas africanas, ressaltando que, para que a nova política tarifária gere efeitos positivos e transformadores no continente africano, é fundamental assegurar um ambiente regulatório previsível e um financiamento adequado e flexível, especialmente para as pequenas e médias empresas, consideradas elementos essenciais para o desenvolvimento das economias locais.

    A Embaixadora angolana na China, reafirmou que as instituições financeiras africanas devem actuar de maneira coordenada e colaborativa na mobilização de recursos internos, com o propósito de apoiar empresas com potencial de exportação, por meio da concessão de crédito e financiamento às PMEs envolvidas em projectos de infraestrutura.

    A Embaixadora Dalva Ringote Allen salientou que Angola defende acções colectivas
    para criar uma estrutura de financiamento continental para a criação de valor acrescentado, uma arquitectura que ligue, de forma prática e coerente, os bancos de desenvolvimento, os orçamentos nacionais, o sector privado e as cadeias de valor concretas, porque África não pode continuar a exportar matérias-primas e a importar produtos acabados.

    Durante o evento, a Embaixadora partilhou que o China Exim Bank e o China Development Bank já alocaram mais de 20 mil milhões de dólares para o desenvolvimento agrícola africano.

    O CADFund dispõe de 10 mil milhões de dólares em capital comprometido. O desafio está em criar janelas específicas para as PMEs com prazos de carência mais longos, colaterais flexíveis e processos simplificados.

    O retiro de dois dias, ocorrido na capital chinesa Pequim entre quinta e sexta-feira, contou com discursos de abertura e encerramento proferidos pela etíope Nardos Bekele-Thomas, Directora Executiva da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), pelo Decano dos Embaixadores Africanos, na presença de delegados de alto nível, incluindo embaixadores, representantes permanentes africanos na China, representantes do Departamento de Desenvolvimento Económico, Comércio, Turismo, Indústria e Minerais (ETTIM), assim como do Secretariado da AfCFTA.

    Para além disso, participaram autoridades dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da China, bem como membros da Agência de Desenvolvimento da China (CIDCA).