O Presidente João Lourenço apelou, durante o seu discurso de balanço da liderança da OEACP, a 28 de Março deste ano, em Malabo, ao fim imediato da guerra no Médio Oriente, bem como incentivou a organização a uma força activa e papel mais actuante na abordagem das grandes questões globais.
Para o estadista angolano, a OEACP, sendo uma organização constituída por 79 nações deve, por isso, zelar para que os seus pontos de vista sejam tidos em linha de conta “na busca das soluções para os graves problemas que afectam de forma cada vez mais ameaçadora a segurança e a paz mundial”.
No contexto actual deste mundo convulsivo em que vivemos, argumentou o Presidente da República de Angola, carregado de incertezas quanto ao futuro, só a unidade, a acção coordenada e corajosa dos países e dos povos do planeta, de uma maneira geral, se constituirão na força motriz para o mundo voltar às relações de cooperação com benefícios recíprocos, à defesa dos interesses colectivos de segurança, ao funcionamento regular da economia global, à protecção do ambiente, à paz, à estabilidade e ao respeito e rigorosa observância das normas do Direito Internacional.
“Nós, os povos de África, das Caraíbas e do Pacífico, por termos vivido durante séculos uma amarga experiência, sabemos que as mesmas motivações que estiveram na base do colonialismo, o do controlo e pilhagem de nossas riquezas, persiste infelizmente nos dias de hoje em pleno século XXI”, lamentou.
O estadista angolano deplorou, ainda, os mais diferentes argumentos usados hoje, mas com os mesmos objectivos, “os do controlo das principais fontes energéticas do planeta, do petróleo, do gás e dos minerais críticos e estratégicos”, tendo criticado as intervenções militares feitas em qualquer ponto do planeta.
O mundo, constatou João Lourenço, “transformou-se numa selva”, onde qualquer superpotência evoca um direito inexistente à luz do Direito Internacional, o do ataque preventivo, “suportado apenas na presunção de que alguém se está a preparar para me atacar e destruir”, admitindo que “foi assim no Iraque, onde nada se provou, e agora no Irão”.